Dois tipos de depósitos a prazo: os seguros e os inseguros

Há dois tipos de depósitos a prazo: os seguros e os inseguros. Nas últimas semanas entrou na dialética europeia uma nova expressão: a dos depósitos a prazo seguros e os inseguros.

Com a decisão tomada de tributar o capital dos depósitos a prazo superiores a €100.000 colocados junto da banca cipriota é legítimo assumir, como faz um parecer do Barclays hoje citado na imprensa, que a perceção de risco que os potenciais depositantes têm em relação a depósitos que constituam acima dos €100.000 tenha aumentado. Em que se poderá traduzir ter perceção? Tal como o Barclays avança, pode traduzir-se na necessidade dos bancos terem de remunerar com um prémio superior ao que já será praticado os depósitos acima do valor seguro, ou seja, os depósitos que ultrapassem os €100.000.

Sendo certo que se tem anunciado repetidamente que a situação cipriota não será um modelo, é também certo que ontem mesmo o presidente do BCE advogou uma clarificação normativa que permita conferir maior segurança (ou certeza) aos investidores quanto aos riscos potenciais em que incorrem no caso de uma insolvência de um banco. E nessas afirmações, apesar de indiciar que os grandes depositantes deverão ser chamados em última linha em caso de incumprimento, não afastou a hipótese de, sendo necessário, ficarem imunes. Em suma, há ainda muito pano para mangas e muitos graus de incerteza acrescida, que deverão preocupar, em particular, quem tem poupanças em instituições bancárias mais fragilizadas ou localizadas em Estados com pouca margem para ampararem eventuais colapsos.

Aparentemente, contudo, ter-se-á ido a tempo de evitar que o risco percebido em depósitos inferiores a €100.000 tenha aumentado de forma significativa.

6 comentários sobre “Dois tipos de depósitos a prazo: os seguros e os inseguros

  1. Gostaria da seguinte informação se possível
    1ºOs depósitos a prazo acima dos 100.000 euros poderão correr o risco em caso de insolvabilidade ser taxados com algo similar ao Chipre?e no caso de obrigações de bancos,e fundos de tesouraria ou outro produto financeiro.Que não um depósito a praso

    Grato por atenção

    1. Artur,
      o risco existe sempre (sempre existiu), terá ficado mais visível com o caso de Chipre. A ideia ontem transmitida pelo presidnete do BCE é que deverá estabelecer-se um plano de responsabilização em caso de falência no qual os depositantes serão os últimos visados, mas podem sê-lo caso o capital dos detentores de outros títulos (como as obrigações) não se suficiente para fazer face às responsabilidades de um banco em apuros. Recomendamos a leitura de http://melhoresdepositosaprazo.com/tenho-mais-de-e100-000-em-depositos-como-proteger-melhor-a-minha-poupanca/

  2. Especulação, especulação, especulação. Tanta que se esquecem de explicar/sugerir formas de investir o dinheiro.

    E quem acha que o dinheiro está mais seguro em casa está tão enganado.

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